Quer vivas no fausto, na opulência, quer levando uma existência impregnada da mais perfeita modéstia e virtude, ou ainda - perdoa-me a dureza - vegetando no lodaçal infamante e imundo num lupanar, nunca poderei esquecer-te. Se vivendo a primeira existência, desejar-te-ei sempre as maiores felicidades; se a segunda a perpetuação da tua virtude e modéstia, supremo bem terreno; e a última (que nem a ti nem a ninguém desejarei nunca) a minha comiseração seria infinita e lamentando-te, carpiria o teu cruel destino.
A princípio, supus que o teu ódio tivesse outra razão de ser, e sofria imenso, porque me persuadia que não me havias compreendido, uma vez que receavas toda e qualquer justificação da minha parte. Intimamente, condenei-te de injusta e de cruel nas tuas apreciações e, ante a minha situação, considerei-te fria em extremo e dum coração de aço. Este estado de coisas, esta tensão fremente manteve-se assim durante muitos meses, cerca de dois anos. O que então sofri, ante essa cruel e dolorosa incerteza, só eu o sei; mas embora assim, a solidão do Sertão e o meu dever, davam-me a paciência e a resignação precisas até ao fim, não da consumação dos séculos, mas desta incerteza que me asfixiava. Mas o tempo passa sempre indiferente e, um dia, chega uma carta de tão longe, daquele ponto, onde a Terra acaba e o Mar começa...
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